segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Busca em Ser Diferente

Houve uma época em que eu me achava intelectual. Lia vários livros, freqüentava bibliotecas, filosofava sobre a vida, o céu e o mar...Achava que era diferente, quando na verdade era apenas mais uma entre tantos!
Com o passar do tempo, fui percebendo que ser diferente não consistia em buscar por caminhos difíceis e longos. Ser diferente era simplesmente uma questão de assumir a minha própria identidade. O meu EU verdadeiro! Deixando os modismos de lado, aprendendo a defender as minhas idéias e opiniões, buscando traçar o meu próprio caminho sem que a sua rota fosse influenciada por outras pessoas
.
Decidi, então, que era hora de seguir e descobrir o que de extraordinário poderia haver nessa caminhada. Conheci vários tipos de pessoas; boas e ruins, egoístas e solidárias, feias e bonitas, oportunistas e aquelas que me inspiraram: as generosas!
Meu pai sempre me dizia que nesta vida devemos conhecer de tudo um pouco e que não podemos discriminar ninguém. Fazemos a nossa seleção naturalmente, descobrimos quem realmente nos acrescenta valores positivos e úteis. Lembro de ouvi-lo dizer que nesta vida temos duas formas para aprender: com dor ou sem.

Não sei por qual razão, mas antigamente sempre buscava a minha verdade através daquilo que mais obstáculo me oferecesse... ou seja: com dor! Mesmo prevendo o resultado final, ainda assim tinha que comprovar com os meus próprios olhos ou, no caso, sentimentos. Teimosia ou não, acreditava que era melhor eu sentir para que pudesse usar como experiência e aplicar tal sofrimento naquilo que esboçava como projeto de vida.
Invariavelmente temos uma atração pelos caminhos tortuosos, pelas pessoas difíceis e complicadas... Passava destemidamente pelos lugares e pessoas, deixava com elas o que havia de sincero em mim e levava delas todas as suas diferenças, afinal esse era o meu objetivo inicial: ser diferente!
Por muito tempo fui percebendo que não há livro no mundo que nos ensine a viver. Afinal, o que é mesmo a vida?
Entre tantas explicações e definições encontradas nos dicionários, uma delas diz: “Princípio de existência de força; condições de bem-estar, vigor, energia, progresso.”
Partindo desse princípio, observo que tudo o que fiz nessa caminhada foi a mais pura expressão do sentido de viver! Demonstrei força, pois sem esse combustível, não chegamos muito adiante, não progredimos... Criei para mim condições determinantes para o meu bem-estar e procurei retribuir cada gesto construtor dessa sensação. Aceitei críticas e convivi com elas por muito tempo, debatendo internamente os seus valores. Aprendi com cada sorriso e tirei muitas lições de cada indelicadeza que recebi.
A melhor escola que temos para adquirir conhecimentos é a dos relacionamentos. No final, percebemos que ser diferente não está em fazer ou questionar aquilo que todos, a sua maneira, fazem. Paradoxalmente, ser diferente é ser igual àquilo que você realmente é como pessoa, é saber lidar com a sua igualdade respeitando as diferenças dos outros. Parece até que voltei aos velhos livros de filosofia...
Ainda lembrando os conselhos do meu pai... “Viaje e estude muito, minha filha! Conheça lugares e pessoas e aprenda com elas, também. Una o que há de melhor dos livros e da vida. A natureza humana é um oceano de conhecimentos. Observe o comportamento dos animais. Eles nos ensinam mais sobre nossos instintos do que você possa imaginar! Nunca permita que as pessoas digam quem você é, pois ninguém há de te conhecer melhor do que você mesma! Se te maltratarem nessa vida, aprenda a extrair a intenção desse ato e reverta a maldade num estímulo para fazer o bem. Não julgue, porque não somos preparados para isso. Você irá perceber que, algumas vezes, num gesto de bondade há um desejo velado de provocar o mal e que, num gesto de maldade há intenção de despertar-nos para o bem. Tudo depende de como a vida que você enxerga te preparou para discernir essas diferenças. Chutar o balde sempre é mais fácil do que lutar, persistir e continuar... Não tenha medo! O maior inimigo que você irá encontrar durante a sua trajetória é aquele que habita secretamente dentro de você: o próprio medo!”
Meu pai nunca quis que eu fosse diferente! Ele sempre acreditou que sendo o que sou (se não pudesse ser diferente), certamente estaria fazendo toda a diferença! Caminhei, caminhei, caminhei para constatar que eu já tinha essas respostas dentro da minha própria casa.


Jackie Freitas

*Imagens retiradas do Google Imagens

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