segunda-feira, 31 de maio de 2010

Interpretando a Palavra ou Sendo Interpretado por Ela?

Há algo de extraordinário nas palavras!
Quantos significados uma única palavra pode ter? O mais curioso de tudo é quantas interpretações tiramos dela!
Existe o provérbio chinês que diz: “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.”. Uma palavra sozinha, com o seu significado, classifica, denomina, qualifica, desqualifica, enaltece, ilustra... Porém, combinada com outras e somando entre si o peso de seus significados, consegue muitas vezes transformar ou até deturpar a imagem de uma pessoa.
Somos, no final, expressões decorrentes de um amontoado de palavras. Enxergamos através delas e, igualmente, somos enxergados, quando não, julgados por elas! O cuidado que devemos ter ao escolhê-las é uma das maiores atividades cerebrais que possamos ter em nosso dia-a-dia. Isso porque vivemos num mundo onde a imagem que preservamos ou até mesmo àquela que queremos transmitir aos outros está intimamente ligada ao bom ou mau uso da palavra.

Nos dicionários, as palavras são apenas letras juntadas. Num livro, elas são emoções, viagens, reflexões, conhecimentos e sentimentos. Somos nós que damos vida a elas! Nós que colocamos a emoção e os sentimentos para que se tornem as nossas verdadeiras expressões (ou impressões). Para as palavras encontramos vários significados, mas para nós, uma só não nos basta! Seria justo afinal sermos avaliados pelas palavras? A nossa conduta, infelizmente, não fala por si só. Ela precisa de um voraz intérprete: as palavras.
Não somos mais o que pensamos! Somos aquilo o que falamos e expressamos. Somos um amontoado de emoções, algumas vezes contraditórias, mas ainda guiados pelo poder mágico das palavras.
Escrever para um blog (ou em qualquer lugar) e deixar impressas palavras que tentam resumir em algumas linhas a nossa percepção das coisas, dos sentimentos, da própria vida é um grande desafio. A escolha correta (ou não tão correta assim) é um exercício intelectual. Mas, fico pensando e tento não me prender a essa intelectualidade, se o correto não seria mostrar o nosso verdadeiro “eu”? Não ficar escondida atrás de um conjunto de palavras para tentar mostrar algo que não sou? Já que tenho esse recurso ao meu favor, preciso acreditar que muito mais do que mostrar quem eu sou, posso efetivamente despertar a curiosidade para que as pessoas pensem em quem elas são!
Todos os caminhos da minha vida me levaram a comunicação! Esse fascínio pelas palavras e a forma como podemos levá-las aos outros; informando, ajudando, conscientizando, sempre foi uma proposta de ação...quase num sentido de missão.
Voltando ao provérbio chinês, tanto a flecha quanto a palavra podem ferir! Lançadas impensadamente dilaceram os sentimentos de qualquer pessoa. Seremos julgados por isso! Seremos, então, o que pronunciamos. Os religiosos acreditam que temos o poder de “profetizar” através das palavras! E temos mesmo! Aí, somos o que pensamos! A oportunidade do pronunciamento é única! Não volta, mesmo que tentamos reconstruir ou remendar. Uma vez dita ou escrita, a palavra assume formas e parte em busca de mentes abertas e ávidas para recebê-la.
Não permitam que as palavras ecoem pelo ar, sem sentido, ou que fiquem borradas num papel. Façam a conexão com elas e entre elas. Usem as palavras para passar mensagens, de preferência construtivas. Ensinem, eduquem através delas. Reflitam por elas a sua forma de pensar e deixem que as suas emoções comandem e direcionem uma mensagem positiva. O mundo precisa de boas palavras, de boa literatura! O ser humano depende de certa forma, das palavras para ser ouvido ou compreendido. Tudo o que tocamos, sentimos e enxergamos podem ser facilmente traduzidos e interpretados por palavras. Mas somos seres únicos e não há palavras no mundo suficientes para qualificar cada um de nós. Compartilhamos as palavras e, desta forma, tentamos passar mensagens diferentes (mas com os mesmos objetivos) usando da mesma gramática, dos mesmos verbos e adjetivos. O que diferenciam as mensagens são as experiências e o modo peculiar de cada pessoa.
Por isso, quero aqui deixar como mensagem (não como conselho) que cada um pense e reflita sobre o poder das palavras! Não permita que elas mostrem o que você não é de fato. Seremos sempre julgados e condenados por elas! A absolvição é fazer o bom uso dos sentidos e da emoção para que passemos nelas a nossa alma e que a nossa essência seja realmente compreendida.


Jackie Freitas
"Cuidado... ao dizer alguma coisa, cuide para que suas palavras não sejam piores que o seu silêncio."


*Imagens retiradas do Google Imagens

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