sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A Arte de Perder

Meu coração está tomado pela dor. Não deveria, afinal ele simboliza o melhor de nossos sentimentos! É nele que guardamos o amor e pessoas queridas, mas nele, também, depositamos as mágoas e os sofrimentos. Eu gosto de escrever com meu coração! Gosto de escutá-lo, senti-lo e de traduzir em palavras todo o sentimento que ele me conduz. Por essa razão, não consigo ficar quieta nesse momento! Pensei em deixar o silêncio acalmar meu coração, mas ele não quer ficar calmo! Continua pulsando e gritando para que eu não interrompa os seus pedidos...
Nestes últimos dias, pessoas sofrem  perdas irreparáveis! Perdas difíceis de serem superadas e nem sabemos se serão superadas um dia... 
Pensei muito em Deus! Ah! Como pensei! Perguntei-Lhe qual a razão de pessoas sofrerem dores tão profundas? Por que pessoas honestas, simples e trabalhadoras terão que conviver apenas com as lembranças daqueles que estiveram em sua vida, com as quais tanto aprenderam sobre o amor? Entregue em meu silêncio, uma resposta me veio... Porque pessoas assim, são meticulosamente escolhidas para falarem do amor com propriedade, justamente por tê-lo vivido intensamente! Porque Deus não nos tira nada! Ele nos dá todos os dias, de diversas formas! Em nossa pretensa inteligência, acreditamos mais nas perdas do que nos ganhos! Não enxergamos que temos tudo o que precisamos, pelo tempo necessário de amadurecimento e aprendizado. Pessoas entram diariamente em nossas vidas e cada uma nos oferece algo! Herdamos famílias que são designadas a nos ensinarem sobre a vida, que nos mostram o valor das conquistas, do respeito e nos falam sobre o amor... Com o tempo, formamos nossa própria família e aí passamos esse legado adiante. Mas ninguém nos ensina sobre as perdas! Essa lição temos que aprender sozinhos... Talvez, nos planos de Deus, essas pessoas tenham concluído uma etapa de suas vidas e iniciado outra... Talvez pessoas como eu, você e tantos outros ainda precisem aprender sobre o amor com elas... E elas nos ensinarão a amar incondicionalmente, a superarmos as perdas, a enxergarmos a vida através da dor, sem perdermos a fé!
Pessoas especiais não vivem como as outras! Elas se transformam em exemplos e passam, com sua luz, a iluminarem o caminho das outras!
Jackie Freitas
Vou deixar aqui um poema de uma escritora norte-americana chamada Elizabeth Bishop. Coincidentemente, Elizabeth após uma viagem feita ao Brasil, se encantou com Petrópolis e escolheu essa cidade como sua morada, onde viveu por 15 anos!

Uma Arte
A arte de perder não é nenhum mistério tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouco a cada dia. Aceite austero, a chave perdida, a hora gasta bestamente. A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério: lugares, nomes, a escala subseqüente da viagem não feita. Nada disso é sério. Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero lembrar a perda de três casas excelentes. A arte de perder não é nenhum mistério. Perdi duas cidades lindas. Um império que era meu, dois rios, e mais um continente. Tenho saudade deles. Mas não é nada sério. Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo) não muda nada. Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser um mistério por muito que pareça (escreve) muito sério.
(Elizabeth Bishop)

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