quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Inferno São os Outros?

Existe uma linha tênue que separa a razão da loucura, a verdade da mentira, a bondade da maldade, o amor do ódio... Essa linha imaginária que nos faz escolher o lado em que queremos estar se torna uma fronteira, convidando-nos a ultrapassá-la e viver na clandestinidade das nossas crenças.
Somos, todos, vulneráveis e estamos à mercê das tentações. De vez em quando cruzamos essa linha e passamos a conviver em penitência, tentando nos redimir daquilo que julgamos serem nossos maiores pecados. Sartre dizia que “o inferno são os outros” e talvez seja por isso que temos dificuldades em lidar com os julgamentos externos. Porque pensamos e agimos através dos outros, nos enxergamos através dos olhares que nos cercam. Mas o verdadeiro inferno
começa dentro de nós e não conseguimos fugir de nossas próprias verdades, nem esconder de nós aquilo que maquiamos e disfarçamos aos outros! O inferno podem ser os outros, mas com certeza ele nasce dentro de nós!
Cada vez que ultrapassamos as nossas fronteiras, conhecemos um pouco do nosso inferno e é dele que temos a visão nítida do lado que deixamos para trás. Os arrependimentos nunca são suficientes e fortes ao ponto de nos impedirem de não cruzar essa linha novamente. A tentação é como a vingança... Saboreia-se pelas bordas!
Então, chego à conclusão de que pegamos gosto pelo inferno e queremos correr os riscos irremediáveis das penitências. Culpamos os outros, acreditando que eles são o inferno, porque precisamos de responsáveis para nossos pecados; mas não temos coragem de enfrentar a nós mesmos diante do espelho ou o silêncio da nossa inquietante alma.
Essa linha imaginária não divide apenas mundos, éticas, crenças ou moral. Ela também nos divide e, então, temos que escolher o lado que queremos ficar. Outro dia escutei alguém dizer que preferia ficar em cima do muro porque é assim que se tem a melhor visão dos lados... No caso da linha, não temos como ficar sobre ela, porque é frágil, arrebenta e aí perdemos nossas referências. Ao perdê-las deixamos de distinguir a nossa paz do nosso inferno, então, os outros se tornam nossos olhos, nossa consciência e o inferno que já existia em nós!
Não há problema algum em cruzar essa fronteira, contanto que saibamos onde ela nos leva. Assumir nossas escolhas não é responsabilidade dos outros, portanto conviver com elas é presente ou penitência que dizem respeito a nós! O inferno são os outros? Talvez, quem sabe? Mas onde, de fato, nos situamos: nos outros ou em nós?
Jackie Freitas
“Os nossos maiores problemas não estão nos obstáculos do caminho, mas na escolha da direção errada.”
*Imagens retiradas do Google Imagens

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