segunda-feira, 23 de julho de 2012

As Duas Faces do Julgamento

Há uma referência bíblica que diz: “não julgueis para não serdes julgados...”. Apesar de muitos de nós pronunciarmos estas palavras com convicção e, às vezes, com um “q” de sabedoria irrefutável; na prática passamos o tempo todo julgando com a mesma irracionalidade daqueles que nos julgam.
Talvez seja difícil conter nossas opiniões sobre os outros e, principalmente, não usá-las inapropriadamente. O que nos torna capazes de fazer julgamentos e, consequentemente, determinar o caráter de uma pessoa? Quais são os critérios utilizados para que os julgamentos se transformem em sentenças absolutas contra alguém?

Fico sempre pensando na velha história da pedra e da vidraça... Fácil e prazeroso é ser pedra, mas ninguém quer se colocar no papel da vidraça... E quando nos tornamos vidraças, quebramos (em prantos e dores) muito antes das pedras nos atingirem. Não aceitamos as injustiças, os preconceitos e os julgamentos... Mas, em momento algum paramos para avaliar os muitos estragos que também fazemos aos outros quando nos posicionamos com arrogância e maldade, atirando nossas pedras a esmo!
Há muitas perguntas das quais não sabemos as respostas, porque tentar entender o comportamento humano será sempre complexo. Cada pessoa possui suas razões e formas diferentes das nossas para conduzirem suas vidas, mas ainda acreditamos que todos devem agir de modo igual, seguindo critérios que nós mesmos estabelecemos como certos, quando na verdade nem sabemos quais são esses critérios! E é nesse emaranhado de confusões e enganos que partimos para os julgamentos, esquecendo-nos que da mesma forma também somos julgados. Quem está certo e quem está errado? Ninguém!
Outro dia, assistindo a um programa de TV, escutei o Pedro Bial dizer: “difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos!”. Tenho que concordar com ele! Realmente passamos tanto tempo vivendo a vida alheia, nos ocupando dos comportamentos e pensamentos dos outros, fazendo tudo melhor e diferente, que nos esquecemos do quanto é difícil assumirmos nossas próprias responsabilidades. E tais responsabilidades estão relacionadas com a capacidade de vivermos uma vida digna, onde erros não são motivos de apontamentos, exclusões e sentenciamentos. Erros são apenas oportunidades de experimentar algo novo e diferente, de seguir por caminhos que outros, talvez, não tiveram coragem de percorrer. E, repito sempre, erros (no meu ponto de vista) são tentativas de acertos, por mais absurdos que possam parecer! Eles devem ser assumidos com humildade e não com vergonha. Ainda, no contexto bíblico: “... quem nunca errou que atire a primeira pedra!”.
Este texto (quero deixar claro) não é religioso, mas apenas uma forma de observarmos que a hipocrisia faz parte do convívio humano desde sempre... Não porque os tempos não mudam ou a humanidade não evolua, mas por sermos (infelizmente) presas fáceis dos nossos próprios demônios! Abominamos aqueles que julgamos, somos abominados por aqueles que nos julgam e abominamos os que julgamos e os que nos julgam... E assim o ciclo de enganos e injustiças se perpetua, passando de geração a geração... Vivemos intensamente a vida que não nos pertence, querendo mudá-las e melhorá-las; mas esquecemos de viver as nossas! Queremos corrigir as falhas alheias, mas não nos atentamos que cada vez que nos preocupamos com outras vidas senão as nossas, estamos abrindo espaço para que os outros também nos julguem!
Difícil não é ser os outros, mas sim nós mesmos... Na minha ótica deveríamos reformular esta frase e dizer: Prazeroso não é ser ninguém além de nos mesmos! Isso sim nos tornaria indiferentes aos julgamentos, pois estaríamos convictos de quem somos de verdade, independente das opiniões ou conhecimentos alheios sobre nossas próprias vidas. Somente nós sabemos quantas pedras removemos pelo caminho para chegarmos aonde chegamos. Somente nós sabemos o valor de nossas conquistas, do quanto abdicamos ou nos esforçamos para vencer nossas batalhas! Somente nós temos o dever de repousar a cabeça no travesseiro e dormir em paz, cientes de termos feito tudo o que esteve ao nosso alcance para concluir mais uma etapa da vida. Somente nós podemos avaliar se nossas condutas nos levarão aonde queremos chegar, porque nós escolhemos nossos destinos e não os outros! É desta forma que não julgamos, porque não temos tempo para outras vidas, senão as nossas! E se quiserem nos julgar...
Ora, sabemos quem somos. E é isso que importa!
Jackie Freitas
“Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia...”
(Paulo Coelho)
*Imagens retiradas do Google Imagens

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