domingo, 16 de setembro de 2012

Além dos Muros, Através das Pontes

Antes de começar a escrever, tinha apenas uma pergunta rondando meus pensamentos: “Por que as pessoas isolam umas às outras?”. Depois, esta pergunta foi derivando outras e, antes mesmo de tentar respondê-las, cheguei à triste conclusão de que os muros que nos cercam estão cada vez mais altos e as pontes, que deveriam permitir os acessos, mais longas e estreitas...
Transpor estes muros não é tarefa fácil, principalmente quando pensamos na dura escalada e nas possíveis quedas a serem enfrentadas e superadas. Percorrer o longo trajeto das pontes tornou-se uma missão tão árdua e cansativa, que muitos desistem logo no início. Desta forma enxergamos tantas dificuldades para nos aproximarmos das pessoas que acabamos por nos submeter ao isolamento. Gostaria muito poder perguntar aonde isso tudo nos leva e ter uma resposta diferente da que, infelizmente, os muros tornaram-se nossas próprias prisões e não nos permite ir a lugar algum... O que se obtém nesta reclusão é o atrofiamento das emoções e algo que, a meu ver, o maior de todos os ônus: o envelhecimento da alma!

Cada vez mais admiro as crianças, com seus atos simples e despretensiosos, e me frustro com o “crescer” que, teoricamente, denota maturidade e sabedoria, mas que no fundo nos torna ignorantes, estúpidos e arrogantes. Da infância passamos rapidamente à velhice, porém sem qualquer riqueza interior! Desaprendemos a brincar e sorrir, e perdemos toda simplicidade da interação e relacionamento. Deixamos um vácuo enorme entre a infância e velhice porque desperdiçamos essa preciosa fase das descobertas e conquistas com mesquinharias e rabugices. Talvez a inacessibilidade não seja decorrente apenas dos altos muros, mas também da opção de cada um pelo isolamento. Quando menos se percebe, a alma envelheceu e tudo que resta é o amargor da solidão e o cimento que mantém os tijolos destes muros cada vez mais firmes... E aí, quem está do outro lado, esperançoso por uma pequena brecha, desiste da escalada.
Sempre pensei que os muros fossem mecanismos de defesa, criados em prol da sobrevivência. Mas como sobreviver em isolamento, sem convívio com as outras pessoas, sem trocas ou perspectivas de expansão? Quanto mais altos os muros, menos luz e maior a escuridão. Seria esta a melhor escolha?
Por mais absurdos e descasos que vejo a minha volta, continuo enxergando beleza na vida, porque não me cerco de muros (ou talvez eles ainda estejam muito baixos) e nem permito o isolamento como condição de viver... Mantenho a fé nas pessoas e, por mais trabalhoso que seja, creio que possamos resgatá-las das prisões em que vivem. Um simples sorriso transforma-se em uma porta... Uma significativa passagem e um sinal positivo de receptividade para a interação com outras vidas! Não há tempo para ranhetices! A vida pede urgente paciência e muita ternura! Ela pede mais vida em nossas vidas e somos, sim, capazes de atender a esse pedido!
Se os muros estiverem altos demais, construamos janelas neles... Isso será suficiente para enxergamos o que há do outro lado! Se as pontes estiverem longas e estreitas, percorramos por elas sem medo ou desânimo... Certamente, em seu final, encontraremos algo valioso e que contribuirá com o rejuvenescimento da alma. Percorrer por estas pontes é preencher com vida o que se perdeu em reclusão. É olhar adiante e descobrir encantos, pois esta é uma das muitas bênçãos da vida. Querer é poder e nós temos o poder de modificar. Não depende apenas dos outros, porque os primeiros passos sempre serão dados por nós! E serão estes passos que nos levarão de encontro às descobertas e, principalmente, às pessoas; por isso é essencial compreender a importância das pontes e o que elas representam em nossas vidas!
A pior prisão não é aquela que nos colocam, mas a que construímos por vontade própria e aceitamos viver... por covardia, medo e fraqueza. Manter-se nela é infringir as regras da vida! Ninguém determina o nosso destino se não agirmos com vigor e em defesa do viver! Não são os muros que nos defendem ou protegem, mas nós mesmos; com bravura e valentia, destemidamente.
Derrubemos os muros e nos coloquemos em posição de defesa e ataque... Não contra as pessoas, mas contra tudo o que tentar impedir o fluxo da vida. Lutemos!
Vamos todos envelhecer, mas que seja com sabedoria e com a certeza de se ter vivido plenamente... Que a velhice venha naturalmente com o tempo e não pela ignorância, isolamento e obstrução dos sentimentos!
Jackie Freitas
”Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.
Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.
Onde leva? Não perguntes, siga-o!”
*Imagens retiradas do Google Imagens

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