domingo, 4 de abril de 2010

O Simples da Vida!

Hoje pensei nas coisas simples e prazerosas da vida.
O que nos preenche, na verdade, não são as coisas difíceis e complicadas, que levamos anos lutando para ter; mas sim aquelas pequenas e tão pouco valorizadas, que só reconhecemos após muito tempo de inquietações.
Lembro dos conselhos que minha mãe me dava quando eu era pequena e que os mesmos sempre me incomodavam. Eram conselhos simples, de alguém mais experiente, mas que a minha arrogância não permitia enxergá-los. Sempre achamos que somos mais espertas, que vivemos num mundo mais moderno, de coisas novas e que os problemas de nossos pais e avós são antiquados, quando na verdade os problemas são iguais para todos, não importa o tempo em que vivemos!
Complicamos as coisas porque gostamos de nos testar e até mesmo de sofrer. Nossos pais nos davam conselhos que simplificavam os problemas, que reduziam o sofrimento. Era como sugerir um atalho para que pudéssemos encurtar a caminhada. Mas por que demoramos tanto para perceber tudo isso?

Quando somos jovens nos sentimos capazes de tudo, com uma força e poder imbatíveis! Nossos limites ainda não foram configurados, por isso levamos anos caindo e sofrendo, apanhando e chorando, para, mais tarde, chegarmos à velha conclusão: “bem que a minha mãe (ou meu pai) tinha razão!”.
Quando temos nossos filhos, percebemos que esse ciclo nunca acaba. As nossas teimosias reencarnam neles e as velhas “birras” também, fazendo-nos enxergar a nós mesmos na figura dos nossos próprios filhos. Eles são a melhor vingança de nossos pais (rsrsrsrs)!
Estava pensando em como era bom não ter grandes preocupações e responsabilidades. Como era simples e fácil viver na proteção de nossos pais. Antigamente, passar um domingo em casa, na companhia deles era quase uma tortura, mas, hoje, como desejo tê-los em minha mesa, sentados junto com a minha família, rindo das travessuras dos netos, relembrando um passado (não muito distante) em que éramos felizes, mas não sabíamos.
Nunca sabemos o quanto somos felizes! Nunca estamos satisfeitos com o que temos! Só tomamos consciência de tudo isso quando perdemos ou quando a vida toma rumos que nos trazem saudades, seja de pessoas, lugares ou momentos.
Construímos nossa vida baseada em sonhos e desejos. Aprendemos a estabelecer metas. Não sei ao certo quando perdemos o foco das coisas. Queremos conforto e para isso trabalhamos arduamente. Num determinado momento o trabalho vira escravidão e o objetivo do conforto e prazer, passa a ser uma rotina compulsória e infeliz. É quando perdemos o foco! E, no início, a equação era tão simples: trabalho= conforto= prazer= momentos felizes...
Vejo as crianças brincando e acho esplêndido como elas solucionam as coisas de maneira tão simples. Acho que por serem puras e sem maldades, conseguem enxergar um obstáculo como algo a ser superado, apenas isso, e não como um “problema” em si. Nem sempre os brinquedos caros são os mais queridos e apreciados. Aquele brinquedo de plástico, baratinho e pequeno, sem manual de instruções, sem botões para apertar, sem pilhas, ou seja, o mais simples de todos, torna-se o companheiro diário, amigo inseparável da criança.
Constatamos essa verdade todos os dias, mas ainda assim continuamos complicando o que poderia ser simples e menos doloroso.
Não estou dizendo que as muralhas do nosso castelo não possam e não devam ser intransponíveis. Precisamos, sim, de desafios e obstáculos na vida. Apenas quero dizer que não podemos torná-los maiores do que a nossa capacidade de superação, que não precisamos decodificar o que está visível e fácil de enxergar.
Lembrem-se das coisas simples da vida e redescubram a felicidade e o prazer de viver! É tão fácil, gratificante... tão SIMPLES!

Jackie Freitas

6 comentários:

  1. Cada minuto, cada instante, sempre cheios de surpresas, e estes momentos nos dá a felicidade ao final, juntando os pedacinhos.
    Abraços forte

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  2. Olá meu querido Príncipe Encantado...
    O que você escreveu é, praticamente, o início de um belo poema...acho que vou me inspirar e suas palavras e ver se consigo produzir algo que esteja a altura de sua sabedoria!
    Obrigada, mais uma vez, por sua presença em minhas publicações!
    Um grande beijo!

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  3. até amar é tão simples. São os amantes que complicam tudo.
    :)
    abçs

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  4. Olá Mr. Jones! Acredito que o ser humano naturalmente complica tudo mesmo. Os amantes complicam o amor, tentam decifrar códigos quando na verdade não existem!
    Beijos e obrigada por sua participação.

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  5. Seu texto, como o próprio conteúdo sugere, é bem "simples", mas muito verdadeiro. A visão comparativa entre nós e os nossos filhos está perfeita!

    Certa vez li uma frase que dizia: HOJE SOIS O QUE JÁ FOMOS. AMANHÃ SEREIS O QUE HOJE SOMOS! Você não vai acreditar, mas ela estava escrita na entrada de um cemitério, na Ilha do Governador - RJ, onde eu fui levado por meu pai para assistir ao funeral de um parente. Ela é perfeita para o lugar, pois quem partiu já foi o que somos, e nós, que ainda estamos aqui, amanhã seremos o que eles são, certo?

    A frase também é perfeita no comparativo entre pais e filhos: eles são hoje o que já fomos (arrogantes, mais espertos, mais modernos, mais inteligentes, tudo "mais" que nós, os pais), mas amanhã serão o que hoje somos (mais maduros, conscientes, experientes, sofridos, e por isso capazes de entender o quanto erramos com os nossos pais).

    Mas a maior lição eles vão colher quando se sentirem na posição em que hoje estamos: a de simples pais e mães à espera da partida deles para o mundo, o verdadeiro dono dos nossos filhos!

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  6. Olá Roberto!
    Estou encantanda, senão emocionada, pela forma com que você, sabiamente, compreende o teor de minha mensagem. É exatamente tudo isso que você escreveu mesmo! Fico sempre me interrogando se um dia meus filhos sentirão essa mesma saudade que hoje sinto; se compreenderão as razões que nos fazem ser protetores, exigentes, disciplinadores. Lembro que no auge de minha arrogância eu preferia sempre acreditar que os meus pais (principalmente minha mãe) eram ditadores, meio militares, impondo as suas vontades, tentando suas frustradas realizações através de nós, filhos. Porém, hoje, vejo que ser pai e mãe é uma grande responsabilidade, talvez a maior de nossas vidas. Educar é uma tarefa difícil, delicada. Transformar em boas pessoas aqueles que geramos, em pessoas que possam realmente fazer a diferença no mundo. Então, ouço as palavras dos meus pais, ecoando ainda em meus ouvidos e compreendo tudo o que eles quiseram me ensinar.
    Espero que os meus filhos não esperem 40 anos para que a ficha caia, né?
    Obrigada, meu querido amigo por essa maravilhosa contribuição!
    Super carinhoso abraço!

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