sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Nunca Diga Nunca!

Quando se atravessa os portais da pretensa invencibilidade, deixamos para trás nossas fragilidades e passamos a crer que possuímos todo o poder da sabedoria inabalável, que jamais precisará ser revista ou aprimorada. Mesmo que iludidos pelo próprio ego, sentimo-nos semideuses brincando com os comandos de uma vida que é nossa, mas cujo “destino” independe apenas de nossa vontade.
Um dos perigos de se cruzar tais portais é o de trancá-los com as chaves definitivas e conclusivas do “nunca” ou “para sempre”!
Ao longo de nossas vidas aprendemos, mesmo que através da dor, que o nunca mais e o para sempre são meras expressões de efeito e que nem sempre simbolizam a idealização de poder ou comando. São pequenos botões compondo um enorme painel que mais servem para nos distrair e iludir, mas que não detém o verdadeiro poder que nós, pretensos semideuses, julgamos possuir.
É preciso tomar cuidado ao sair e fechar uma porta atrás de si, pois a mesma poderá, um dia, servir como caminho de volta nas muitas voltas que a vida dá... Neste caso, o nunca perde o seu sentido original de comando, decisão e poder... Derruba a certeza de que a invencibilidade não nos levará de volta por caminhos já percorridos. Remove a ilusão de que o para sempre determina a eternidade de atos certos ou incertos, compactuando com o nunca para que pensemos numa onipotência arrogante e nos impeça a humildade de reconhecer quando é preciso se desfazer de conceitos firmados para recuar e voltar, se preciso for, ou até mesmo perdoar a si e aos outros...
Encerrar ciclos é o chamado para a renovação nossa e da vida. Isso não significa que precisamos fechar e trancar todas as portas pelas quais passamos! Quando deixamos para trás nossas portas, não podemos ser orientados pelo relógio do nunca ou do para sempre. Talvez seja esse o relógio do Olímpio, mas não o nosso, meros mortais e aprendizes de uma vida efêmera e que exige de nós um misto de todos os sentimentos humanos... É preciso coragem, mas sem esquecer que a sensibilidade também nos guia por estes campos minados ou floridos. É preciso paciência para deixar que o nosso tempo faça todos os contornos da vida... E é este tempo que nos rege! É ele que nos permite seguir por novos caminhos ou retornar por velhas passagens... É ele que nos ensina, quando nos dispomos a aprender, a humildade que nos cabe em todas as passagens da vida. É este tempo que nos ensina um modo diferente de conceber o poder...
Podemos, sim, acreditar no nunca e no para sempre, mas sem esquecer-nos de que nada é definitivo ou imutável...
Se você estiver atravessando algum portal ou encerrando um ciclo, não se esqueça disso: o nunca e para sempre são tempos longos demais e não nos pertencem!
A vida nos prega muitas peças e é por isso que não podemos ter esses “tempos” nos limitando e impedindo, muitas vezes, uma nova chance de olharmos de outra forma... E uma releitura pode nos mostrar algo que esteve sempre diante de nós, mas que fora ofuscado ou negligenciado pela soberba da onipotência!
Quando Alice estava no País das Maravilhas, ela perguntou ao Coelho: “Quanto tempo dura o eterno?” E ele respondeu: “Às vezes apenas um segundo!”.
Nunca diga nunca! Mantenha os canais abertos (e as portas também) e que sejam eternos enquanto durarem...
Compreender o significado disso é um passo para mensurar o tipo de poder que temos!
Pense nisso!
Jackie Freitas
*Imagens retiradas do Google Imagens

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