terça-feira, 22 de junho de 2010

Apenas Bons Amigos

  Segundo a psicóloga Roseli Basílio existe, sim, relacionamento homem-mulher onde prevalece a simples amizade. Quando uma pessoa está bem emocionalmente, dificilmente mistura uma coisa com a outra.
Li uma matéria muito interessante no Portal Caras sobre alguns pré conceitos nesse tipo de relação e gostaria de compartilhá-la. Não é raro encontrarmos pessoas que ainda pensem que relacionamento entre sexos opostos, necessariamente acabe em sexo... Os tempos mudaram, mas muitas pessoas ainda carregam o velho preconceito... Vamos abrir os horizontes!

Amizade entre o homem e a mulher é possível quando existe maturidade

“Aqueles que duvidam da viabilidade de um relacionamento intersexual apenas afetivo, sem a presença da sensualidade, demonstram ter dificuldades com as manifestações do sexo oposto em si mesmos. Por esse motivo, eles acabam caindo tanto em generalizações quanto em preconceitos que só fazem afastá-los de um tipo de amor alegre, leal e desinteressado.”  Alberto Lima
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Em toda a minha experiência profissional, nunca vi um único homem duvidar que fosse possível haver amizade - entenda-se "relação não sexuada" - entre homem e mulher. Mas me impressiona o número de mulheres que manifesta essa dúvida. Em geral, ao se referir à questão, elas formulam uma pergunta - "Você acha meeeeeesmo possível haver amizade entre um homem e uma mulher?" -, mas para o interlocutor fica claro que ali há uma afirmação, não uma indagação. Tais mulheres não acreditam nesse tipo de amizade por entenderem que entre gêneros as modalidades de relação possíveis são o "coleguismo" superficial (o cara não interessa a ela como parceiro sexual nem como amigo), ou, no plano de uma relação mais pessoal e íntima, um interjogo sedutor, que mira a sexualidade. A mulher que se norteia por esses entendimentos costuma atribuir ao homem o apetite sexual, como se o desejo fosse prerrogativa masculina, restando a ela só a chance de "ser desejada".
Essa crença faz lembrar outras, como as de que "homem nenhum presta" ou "os homens, por definição, são uns sacanas", generalizações representativas de uma forma de manifestação do masculino na psique feminina, o masculino específico da mulher - a que Carl Jung deu o nome de animus - naquilo que tem de mais negativo. A mulher que pensa assim parece se esforçar para compreender o mundo e as pessoas, mas o faz de modo preconceituoso, além de apresentar o resultado de suas observações precipitadamente. Ela assume como "pertencente ao mundo e ao outro" aquilo que é conteúdo seu, mecanismo a que se dá o nome de projeção. Se experimenta em si uma motivação sexuada diante do estímulo "homem", não vê esse movimento como seu. Mais do que isso, não concebe a idéia de um Eros vincular, ou seja, não admite a possibilidade de um vínculo hetero-afetivo. Para ela, se é hetero, só pode ser heterossexual. E se o homem mantém a relação em bases afetivas algumas põem em dúvida sua virilidade.
Curioso é que uma das coisas que as mulheres mais admiram nos homens, como demonstro em livro a ser publicado em breve, é a amizade entre eles. Diferentemente do que ocorre nas relações de amizade entre mulheres, vistas por elas mesmas como mais competitivas, elas ressaltam a beleza do amor que há entre os homens, a lealdade, o quanto se divertem juntos, ou seja, admitem que sejam relações homoafetivas, sem que tenham de ser homossexuais. Por outro lado, têm dificuldade em transpor para o plano do relacionamento homem-mulher o mesmo tipo amigo, leal e divertido de amor. O homem, por sua vez, não costuma encontrar dificuldade nesse tipo de transposição.
Isso não significa que não haja homens sexistas. Claro que há. Mas homem sexista, ou seja, que cai matando sexualmente em cima de uma mulher, sem com ela desenvolver uma relação humana mais plena, também tem sérios problemas com o feminino específico do homem (anima, para Jung). Onde a mulher imagina estar um homem, é provável que esteja um troglodita jurássico.
Resumo da ópera: mulheres maduras e amorosas vêem homens como possíveis amigos. Homens maduros vêem mulheres como possíveis amigas. Mulheres imaturas vêem homens como puro instinto; homens que são puro instinto não se relacionam com mulheres inteiras. Homens imaturos vêem mulheres como mero corpo; mulheres que são mero corpo não se relacionam com homens inteiros.
Alberto Lima, psicoterapeuta de orientação junguiana, é professor-doutor em Psicologia Clínica e autor de O Pai e a Psique (Editora Paulus).

*Imagens retiradas do Google Imagens

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