segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Espelho…Decifra-me Se For Capaz!


Olhar-se no espelho pode representar muito mais do que a certificação da aparência. Nossos olhos conseguem ir além da imagem refletida. O espelho só ganha “vida” quando passamos a nos enxergar através dele. O que você busca no espelho e ao olhar-se o que encontra?
Narciso encontrou nas águas límpidas e cristalinas a sua perdição. Apaixonou-se pela própria imagem refletida e perdeu-se nela para sempre. Porém, o que antecede esse episódio é o que muitas pessoas passam. Amar a imagem refletida e não conseguir perceber o que está oculto. Somos muito mais do que simples aparência, pois nem sempre aparentamos quem de fato somos. 
O espelho pode conter pequenas fissuras e nelas a desfiguração da imagem é tão real quanto enxergamos. Muitas vezes me vi bela e não seria difícil me apaixonar pelo reflexo, mas ao olhar-me profundamente nos olhos, conseguia enxergar que por detrás  deles escondia uma pessoa frágil, triste e cansada. Alguém que questionava se o que via era realmente a sua representação fiel ou apenas uma figura qualquer, tentando convencer aos outros e a si mesma de que tudo estava bem e sob controle. E quase sempre fazemos isso! Buscamos no espelho uma forma de atenuar a amargura e tristeza. Passamos um batom ou penteamos os cabelos, exibimos as faces ruborizadas e coloridas, ensaiamos um sorriso e nos prometemos que tudo ficará bem. O espelho passa a ser um amigo. Ele nos engana na medida em que queremos ser enganados. Outras vezes, ao contrário, ele pode nos persuadir e nos convencer que não há beleza alguma e sim tristeza e desgaste do tempo. É mais fácil, naturalmente, crermos nessa informação, pois as pessoas são tão carentes de si que mergulham nessa certeza e afogam-se nas contradições da vida.
Estar ou ser belo nasce de dentro, das profundezas do oceano de emoções. Na superfície as águas podem estar turvas e revoltas, mas há limpidez e calmaria nas profundezas. Quando pensamos no reflexo do espelho, muitas vezes enxergamos apenas a superfície e, desse modo, nos vemos superficialmente, deixando de analisar o que há escondido nas profundezas. O espelho engana, mas quem reflete a imagem é você e não ele. Não importa se você se mostra incrivelmente belo ou terrivelmente feio. Importa é o que está além do que os olhos enxergam. Se o espelho fosse capaz de traduzir com fidelidade o espírito de quem está diante dele, com certeza seria um amigo sincero. Mas culpá-lo não resolve. Você deve primeiramente enxergar-se e perceber-se. “Espelho, espelho meu!” A história, mesmo infantil, nos revela que ele pode enganar e nos responder apenas o que gostaríamos superficialmente de acreditar. O mundo pode não nos enxergar com tanta beleza e nem com tamanha feiúra. De nada adianta ser incrivelmente belo, mas por dentro conter o amargor e desrespeito pela própria espécie. O feio é relativo e apenas responde a um padrão inventado para tornar o convívio das aparências mais suportável. Beleza está em atitudes e conduta de vida. O belo irradia sentimentos.
O espelho reflete máscaras e para algumas pessoas, quando elas caem, fica difícil confrontar-se com a realidade, então, no lugar das máscaras, passam maquiagens que deturpam o que está oculto.
Cuidado com o que você reflete e com aquilo que se preocupa em refletir ao próximo. As águas serenas, límpidas e cristalinas que “abraçaram” Narciso, levando-o ao seu fim, podem ser pra você apenas o seu imenso ego... devorando-te um pouco a cada dia.
Jackie Freitas

*Imagens retiradas do Google Imagens

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