quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Voar Alto

Eu consigo voar alto! Minhas asas possuem força e a ânsia em atingir a elevação me mantém aprumada. Isso não tem relação com ambição e também nada a ver com alpinismo social. Gosto de olhar as coisas do alto e com uma perspectiva diferenciada. Do alto ampliamos o nosso campo de visão e, mesmo que as coisas pareçam pequenos e indistinguíveis pontos, o panorama é imenso!
Organizar idéias, desenvolver o foco e acima de tudo abrir os horizontes! O foco é muito importante quando o raio se amplia. Aprimorar o poder de detalhar e identificar as minúcias. Todos nós, quando observados em minúcias, nos diferenciamos uns dos outros. Aí está a verdadeira complexidade da compreensão sobre as diferenças. 
Quando penso em atingir o meu ápice, não me coloco em nível hierárquico perante o mundo ou as pessoas. O meu vôo é interno e ao contrário do julgamento psicológico ou comportamental dos outros, revela o meu crescimento e capacidade de observar os fatos de maneira mais apurada. Engraçado que quanto mais alto eu alço o meu vôo, maior se torna a minha humildade. Perceber que não somos nada mais do que grãos de areia num imenso e quase infindável deserto. E esse deserto mora dentro de cada pessoa que desconhece as suas inúmeras possibilidades de visão.
Voar alto, no sentido figurado, pode ser as asas postas em um sonhador. E por que não sonhar? E por que não voar tão alto, que no silêncio profundo do espaço não possa encontrar a própria voz? Você pensa em altura espacial e eu penso no espaço interno, nas lacunas que deixamos mal preenchidas. O universo é feito de vácuo... e nós também. Existe um silêncio profundo entre os planetas e, entre nós, humanos, lamentavelmente ocorre o mesmo. O homem busca conquistas espaciais, intergalácticas e ainda tenta aprender a conviver com a própria espécie. Como podemos querer conquistar o que está além do nosso alcance, se não somos capazes de conhecer a nós mesmos?
Olhar do alto exige habilidade e acuidade visual. Uma percepção tremenda, que nos coloca em igualdade, mesmo tendo pontos pequenos espalhados pelo cenário. Olhar do alto não nos torna deuses. Não é hierarquia e nem arrogância. Talvez, numa visão mais humana, seja uma forma de aproximar-se da força cósmica ou da verdadeira divindade. O sonho que motivou Ícaro a buscar sua liberdade e encontrar-se com o Sol. Simbologias a parte, buscamos o que irradia calor, o grandioso, o inexplicável. O que nos fascina é a busca, mas ela também nos cansa. Cansou Ícaro, mas o aproximou do seu sonho. Nossos sonhos são asas poderosas e talvez a questão seja o quão alto você queira voar e de que forma você enxergará os pequenos pontos. Fortalecer não apenas as asas, mas também a visão que te guiará neste trajeto. As pessoas poderão te parecer pequenas, mas não se iluda! O tamanho delas é proporcional a humildade que você cultiva. Voar alto não é estar acima de nada... Voar alto é a possibilidade de abrir a poderosa grandeza da vida diante de si e não se limitar ao recluso mundo da pequenez. É descobrir som no vácuo, ouvir a voz aprisionada que anseia por liberdade. Voar alto é encontrar o seu próprio Sol, iluminar o seu mundo e perceber que não estamos sós nele! É descobrir-se parte dos pequenos pontos indistinguíveis.
Jackie Freitas
O vôo até a Lua não é tão longe.
As distâncias maiores que devemos percorrer estão dentro de nós mesmos.
(Charles de Gaulle)

*Imagens retiradas do Google Imagens

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