segunda-feira, 4 de abril de 2011

Que Seja Eterna Enquanto Dure…

Algumas coisas são difíceis de serem explicadas ou definidas. Cada um tem a sua visão sobre os sentimentos existentes. Sem dúvida alguma, o amor e a felicidade lideram o ranking das buscas e explicações, exaltados em poemas, declamados em versos, analisados por psicólogos e, muitas vezes até por cientistas. Todos tentam encontrar padrões que definam essas experiências, como se precisássemos de fórmulas para vivê-las melhor e de forma “madura”. Difícil imaginarmos pessoas sozinhas e não aos pares! Difícil concebermos a idéia de uma vida sem a magia do amor ou envolta pela aura da felicidade. E, de forma própria, cada um vive os seus encantos ou sofre seus dissabores.
Conviver na atmosfera da adolescência nos faz rever alguns conceitos e perceber que todos nós começamos da mesma forma. Acreditamos, enquanto jovens, nas paixões avassaladoras e fazemos delas nossa razão de viver. Ouvimos músicas, flutuamos enquanto caminhamos, sorrimos para as paredes... Esse tipo de felicidade alimenta a alma e se torna combustível para a vida.
Após certo tempo, entre ilusões e desilusões, deixamos de acreditar na paixão e passamos apenas a ter como meta o amor... O amor que nos levará ao altar e que fará a comunhão de duas almas. E não é poesia! Quanto mais nos relacionamos, mais acreditamos que o caminho para a felicidade seja esse amor de dimensões espirituais! Esquecemos que é através da paixão que tudo começa e por isso, ao observarmos os adolescentes, mesmo dizendo a eles que tudo passará e que no futuro eles enxergarão diferente de hoje, penso no quanto temos sido responsáveis por destruir uma das maiores belezas dessa fase.
Para mim, fica cada vez mais evidente que canalizamos as frustrações, decepções e dores para criarmos uma espécie de camada protetora que nos impede de correr os riscos e mergulhar de cabeça nas paixões. Ficamos tão inseguros (talvez muito mais do que os adolescentes) que colocamos todas as nossas defesas em alerta a qualquer possibilidade de relacionamento. Associamos muitas dessas experiências como perigo... Medo de sermos feridos, iludidos ou enganados. Queremos ter a certeza de que dará certo; mas como seria possível se nós mesmos nos privamos dessa descoberta? Como ter respostas para algo que não nos permitimos viver? Ponto para os adolescentes que ao se permitirem experimentar, testam os próprios limites e mesmo que depois, se consumam em tristezas e dores, ainda assim, vivem momentos que levarão pelo resto de suas vidas!
Numa conversa com uma jovem que sofria pela desilusão do amor, disse-lhe que crescer não é nada fácil. Aliás, o processo do crescimento dói... E muito! Pensei depois que parte dessa dor é porque perdemos essa levitação maravilhosa provocada pela paixão! Acordamos de repente tão responsáveis para a vida, que esquecemos que é justamente a experiência da paixão que nos faz sentir vivos, com os sentidos aguçados, com o coração acelerado... Somos arrebatados por algo inexplicável e, nessa altura do campeonato, nem queremos explicações... Queremos apenas sentir, porque assim é a paixão: uma combinação perigosa, mas deliciosamente boa de ser sentida. Um passo para o amor e felicidade ou um recuo para o recomeço. Esse é o processo da vida, ora bolas!
Por incrível que pareça, depois de “maduros” evitamos tudo isso! Sabemos que são experiências que lembraremos para o resto de nossas vidas, mas não estamos mais dispostos a correr riscos. Queremos segurança, tudo calculado e programado para que as dores e decepções não nos façam voltar à estaca zero! Recomeçar? Não temos mais tempo para isso! Isso é coisa para os jovens! E com isso envelhecemos nosso espírito e fazemos com que os jovens sigam esses passos! Os envelhecemos conosco ao invés de reaprendermos com sua juventude!
Ensinamos-lhes que todo esse processo da paixão é doloroso e sofrido demais, que as decepções causam sequelas terríveis e nos endurecem para a vida. Porém, esquecemos (porque nossa memória é curta) de dizer-lhes que não importa o tempo que uma paixão dure: uma hora, uma tarde, um verão ou um lampejo de sorriso... Qualquer tempo de uma paixão tem o seu valor e apesar de durar tão pouco ou ser tão dolorosa, cada segundo dessa experiência, enquanto dura, é bom demais e vale a pena ser vivido!
Jackie Freitas
As paixões são como as ventanias que incham as velas do navio. Algumas vezes o afundam, mas sem elas não se pode navegar.”
*Imagens retiradas do Google Imagens

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