quarta-feira, 2 de junho de 2010

Liderança, Ego e Humildade

  Na minha época de estudos, sempre tive boas notas. Estudar era a minha fuga. Aprender era o meu lema. Meu pai sempre me dizia que o melhor que pudéssemos desejar a nós, dependia do aprendizado. Através dos estudos a minha chance de ser uma mulher independente seria maior. Mesmo em sua suposta ignorância, ele era um homem inteligente. Por isso, também, foi que me entreguei de corpo e alma aos estudos. Dificilmente minhas notas eram inferiores a 8! Lembro que quando a minha mãe ia às reuniões de pais e mestres (rsrs) sempre saia com o sorriso radiante, com o peito estufado de orgulho devido aos elogios unânimes de meus professores. Acostumei-me a ser percebida e elogiada. Fazia um grande bem ao ego.
Quando conheci o meu marido, também fui notada por ele por minha “inteligência” ou modo de enxergar a vida (experiência), apesar dele dizer que sou bonita... rs... Um dia, conversando sobre a vida acadêmica, ele me disse que nunca fez questão em ser notado. Ele sempre procurou estar entre os “médios” (nem tão prodígio e muito menos ignorante). Naturalmente me espantei, pois ele é muito inteligente, perspicaz, mente brilhante! Ele sorriu e explicou de uma forma que, após muito pensar, me fez enxergar uma grande verdade.
Estar o tempo inteiro na liderança, em destaque, no topo do ranking é uma gratificação pessoal, sem dúvida! Traz satisfação, alimenta o ego. Ego! Ecoa por nosso corpo, atinge o cérebro e em alguns a alma! Liderar também exige responsabilidades e, neste caso, não significa fugir delas ou ter medo de enfrentá-las. Porém existem modos de demonstrar liderança sem estar sob os holofotes da fama, sem ser cobrado pelas imperfeições que todos nós, seres humanos, possuímos! Experimentar o podium é maravilhoso, mas precisa ter uma habilidade maior para lidar com a frustração caso não se consiga manter o status de líder. Exige mais trabalho e, quase sempre, acaba tirando o foco daquilo que originalmente te levou até ele.
Meu marido prefere ser discreto. Ele faz o que lhe é designado, aplicando os seus conhecimentos e gerando resultados. Isso é segurança! Saber deixar os diversos “egos” que surgem em nossa vida brilharem, liderarem, mostrarem a sua capacidade (muitas vezes os mesmos, levados pela inflamação do ego, acabam se autodestruindo). Quem tem confiança em si e na sua própria capacidade, consegue transitar muito bem nas outras posições no ranking. Não quer dizer que não há ambição. Mas, afinal, o que é a ambição? Precisamos estar armados com ela 24 horas por dia? Podemos viver na humildade de nossos conhecimentos e limites sem incomodar aos outros? Porque quando somos líderes somos cobrados o tempo inteiro... Precisamos de pontuações, de méritos! Não temos descanso, não nos descuidamos, estamos sempre alerta se alguém não está nos vendo e julgando. O líder acaba virando escravo do ranking! Por outro lado, a pessoa que opta por fazer o que realmente sabe e gosta, acaba escalando os mesmos degraus, naturalmente. O reconhecimento pode até demorar, mas quem está aqui para provar algo a alguém?
Meu pai quando chegou a São Paulo, não conhecia nada! Mal sabia ler! Um dia, um amigo que trabalhava na Light (atual Eletropaulo) o indicou para dirigir o caminhão que atendia ocorrências e emergências . Isso meu pai fazia muito bem: dirigir! Com o tempo e observando muito, ele aprendeu a fazer reparos, estudou sobre transformadores, eletricidade e depois pediu para trabalhar com os reparos em redes de alta tensão. Foi bem sucedido! Fazia com perfeição e conseguia atender a todos os chamados do plantão dele. Logo foi promovido para liderar uma equipe. Para mim, hoje, esse tempo não demorou muito, mas para o meu pai foram anos embaixo de sol e chuva, correndo riscos, noites em claro e feriados longe da família. Mas ele conseguiu ser líder. Com pouco estudo, mas com a sabedoria dos medianos, ele conquistou um cargo de confiança e de grande responsabilidade. Tudo com honestidade, paciência, dedicação e muita humildade.
  Por isso, hoje revejo o conceito de liderança. Não desisto dela porque está no ser humano querer fazer o seu melhor e ter o reconhecimento. Apenas procuro não me apegar a isso! Com certeza, tudo o que fazemos com dedicação acaba nos levando naturalmente a esse caminho. A diferença é que tenho consciência das minhas prioridades e responsabilidades. Dou valor às críticas, aos conselhos e, principalmente, a vida, pois ela me ensina diariamente. Não me vendo por medalhas, mantenho a minha integridade e foco o que quero. Sou livre, pelo amor de Deus! Sou humana! Erro e não quero ser apontada pelos erros, mas orientada para o acerto. Desenvolvi o apreço pelas pessoas e o respeito pelas diferentes formas de viver e pensar. Na vida, as relações humanas são riquezas, mesmo que tragam decepções, mas ainda assim são experiências que te levam a outro patamar. Nessa escalada por ranking encontramos pessoas extraordinárias que se ferem no meio do percurso, que se perdem na avalanche de egos depostos do podium.
Por isso, continuo seguindo a minha escalada, com paciência e humildade. Estendendo as mãos a quem precisar de forças, parando no meio do caminho para matar a sede daqueles que esqueceram a água, para ajudar aos que esqueceram de respirar durante a corrida. No final de que valeu a escalada (vida) se ao chegar ao topo deixarmos de apreciar a beleza do Sol?

Jackie Freitas

*Imagens retiradas do Google Imagens

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